segunda-feira, 14 de setembro de 2009

FINAL FELIZ? Autora relega tema importante na novela.

FINAL FELIZ?...

Silvio Luzardo

Sinceramente. Como educador, fiquei decepcionado com a autora Glória Peres. Revelou fascínio pessoal pelas tradições e mitos da Índia. Porém, na trama brasileira, mostrou-se descuidada e não prestou um serviço à sociedade, como já fizera em novelas anteriores. O núcleo que abordou problemas de relacionamento e violência numa Escola do Rio foi abortado, sem explicação. A contextualização iniciada era procedente. Trazia para o horário nobre um problema grave que ocorre diariamente nas salas de aula das Escolas de nossas cidades. A realidade: fragilidade de virtudes, violência, desrespeito de parte dos discentes, a inabilidade e o acuo docente. De repente, um vazio. Parece que a questão ficou fora do controle. E as respostas que todo o educador esperava não vieram.

Na minha perspectiva, acreditei que Glória Peres ofereceria uma contribuição sócio-histórica. Abriria uma discussão sobre o difícil cotidiano de nossas escolas. Daria resposta às frustrações e à insegurança dos professores, mostraria o despreparo tecnológico e psicológico dos docentes. Traria ao debate a necessidade da implantação de novas metodologias interdisciplinares: possibilitaria a gênese da construção harmoniosa do conhecimento; a redescoberta do diálogo no processo de mediação dos problemas; a inserção de dinâmicas pedagógicas que retirem o máximo do discente e evitem a sua inapetência e inércia intelectual. Enfim, um “quadro branco” que poderia ser preenchido com novas propostas sobre a situação da aprendizagem num Brasil repleto de carências sociais, distorções emocionais e ausência preocupante de valores.