sábado, 1 de agosto de 2009

HIPERATIVA, a criança; HIPOATIVA, a Escola.

ATENÇÃO. A revista Veja desta semana, 08 a 13 aborda questão semelhante: a inteligência dos bebês.

Você vai ler:

Silvio Luzardo aborda, como psicopedagogo, o contraste existente entre a criança que se apresenta para a Escola e o que a Escola, em termo de comunicação e aprendizagem, vai oferecer à criança.

O Artigo:

HIPER E HIPOATIVOS, CRIANÇAS VERSUS ESCOLA

De um lado, como diria o poeta Murilo Mendes, têm o desenvolvimento precoce da mente das crianças. Estimuladas desde os primeiros meses de vida por lampejos audiovisuais do rádio, da televisão e do monitor do papai. Elas, cedo ainda, terão acesso ao mundo digital e aprenderão mais rápido do que se possa imaginar os atalhos para fazer desenhos, colorir, criar balões, expressões e poderão também mexer em caricaturas e rir bastante do que construíram. Tão logo possam, estas mentes entenderão como funciona um “game”, resolverão problemas no celular do papai e acertarão a agenda da mamãe e facilitarão a vida dos dois, caso queiram falar com os avós através da “webcam”. Em resumo, aos cinco anos de idade, essas crianças que são contemporâneas da era da informática têm uma “rede” neural privilegiada. Se pudéssemos “tirar” uma fotografia do cérebro veríamos que os estímulos propiciaram uma facilidade de entendimento virtual e suas conexões, principalmente no hipocampo, são mais ricas de que um agricultor que viva no interior de um município da Grande Florianópolis e que não teve acesso aos estudos. Essa criança está apta para o próximo passo, o Ensino Fundamental. Ela é ágil, esperta, tem o domínio de considerável vocabulário para a idade, algumas estão um pouco fora do peso, pois passaram muito tempo mais no virtual do que no real.

Do outro lado, tem a Escola. Essa escola, seja Pública ou Privada, aguarda essas crianças para o processo de alfabetização com métodos que não consideram ainda este “estágio” das crianças. Não digo que seja superado, mas está alheio ao “jeito” que a criança vê e “opera” no mundo. O discurso segue um ritual estático e modorrento. Salas de aula cheias de pura energia, horários para cumprir, regras para seguir, uniformes, cadernos, escritas, professoras interessadas e motivadas em repassar o conhecimento e são chamadas de “tias” no processo de socialização que já começou no maternal. Essa Escola ainda rema contra a corrente. Ela estranha como as crianças se comportam, como são ativas, como são inquietas, como são respondonas, como não conseguem se manter na linha e muitas são estereotipadas com problemas de aprendizagem, ou são superativas ou têm déficit de atenção e inúmeras outras classificações. Deste lado, tem o receio de lidar com o novo, com esse cérebro que não se contém com aulas regradas e formais, que precisa animação, criatividade, desafios, atalhos, dinâmicas que possa “descobrir” por si só o que é preciso conhecer. Deste lado, portanto, está a grande incógnita. Como preparar professores no “estilo” da dinâmica virtual, como fazer com que entendam que é necessário humanizar de um lado a educação, descobrindo que cada um é cada um e, ao mesmo tempo, dosar as suas didáticas dentro de um todo? Acredito que a resposta está na reavaliação do método de preparação básica dos professores. Hoje, mais do que nunca, a disciplina que dominam é apenas um “detalhe” no seu preparo profissional. Eles devem ser comunicadores da educação, por isso o termo que vem se defendendo. Escola e professores devem dominar as técnicas de comunicação social (antropologia, sociologia, psicologogia, pedagogia, ciências sociais, técnicas de comunicação de massa e mídias). É hora da revolução na educação. É a hora dos educomunicadores. Aqueles que vão se “emparelhar” com a mente desenvolvida de nossas crianças e se apropriar de sua energia neural para produzir o conhecimento que é necessário.