Silvio Luzardo
Educador
As crises escandalosas que perseguem as estruturas políticas de Brasília (principalmente) estão escoradas na “tradição nefasta” de um poder paralelo, que não é transparente, nem ético e se esconde debaixo dos interesses personalistas, onde o nepotismo, a prepotência, o tráfico de influência e a obtenção de favores são apenas alguns dos ingredientes. As denúncias que circulam ora no Executivo, ora no Legislativo federal, se constituem em “efeitos” deletérios. No duro mesmo, revelam uma organização torta e equivocada de Nação, com pessoas se abrigando sob o escudo de um mandato e fazendo de tudo para se eternizar no poder. O que revelou o pluripartidarismo, por exemplo? A possibilidade de se constituir “estranhas” alianças políticas para que um “punhado” de indivíduos navegue ora na política municipal, ora na estadual e ora na federal. Essas alianças são oportunistas e permitem a “ditadura” do Governo (Executivo) ditando as regras provocadas pela “base” do Legislativo. Tenham a “santa paciência”! As alianças revelam a “velada briga constante” dos “negócios” que se observam nas nuances dos votos de plenário sendo utilizados como barganha, da obtenção de cargos, na cooptação de políticos “em cima do muro” para reforçar as alianças “estratégicas”.
A crise da “hora” recai sobre um apenas nome. Mas será que retirando Sarney do cenário político se salva o Senado, o Congresso Nacional, o Poder Legislativo e os Poderes da União? Mais uma vez, das tantas que a República se arvora em desmandos, privilégios e protecionismo interesseiros, parecendo que pessoas detentoras de mandatos estão acima ou fora da lei, não se atacam as causas dessa estrutura combalida de sistema que favorece oligarquias a se manterem e a se locupletarem através dos tempos, misturando o mandato público com o interesse pessoal privado, como se tudo fosse uma ação legal prevaricar e beneficiar parentes na estrutura “babelesca” do poder de favores que isso provoca, na teia inquietante e fétida que se alastra. E o que mais me desarvora como cidadão é que os políticos que detém uma postura cívica adequada não dão um basta a essa balburdia, por serem minoria ou por serem coniventes. Esse silêncio, essa omissão, essa ausência de atitude, como uma renúncia moral ao mandato que exerce nos faz lembrar que é uma postura comprometedora. Afinal, “quem cala, consente”.
